• Victor Gonçalves

Adoção x transformação ágil – qual a diferença?



A agilidade é um tema muito explorado hoje nas empresas, principalmente com a modernização e a digitalização das companhias batendo à porta (para quem ainda as mantinha fechada). Mas nem tudo é igual nesse tema, e uma confusão muito frequente tem a ver com a adoção de práticas ágeis e a transformação ágil de fato.


Então vamos lá: a adoção ágil é a mudança de um processo anterior para um novo que se baseie nos valores e princípios ágeis. É tipicamente representado pela implementação de algum framework, como o SCRUM, em projetos piloto. Pode ser um primeiro passo para a organização iniciar o contato com a agilidade. É o que alguns chamam de “fazer ágil”. Já a transformação ágil é o processo de modificar a cultura e a natureza de uma organização para uma cultura de agilidade. A transformação trata de uma mudança fundamental na maneira como as pessoas pensam, sentem e portanto agem – isso é “ser ágil”.


Ou seja, você pode adotar um conjunto de ferramentas ou práticas ágeis, mas sem ser, de fato, ágil. É a diferença entre fazer um esporte e ser esportista. Ser esportista envolve muito mais do que praticar um esporte. É uma entrega física e emocional, que envolve todo o seu ser. No ágil é a mesma coisa: você pode “praticar” o ágil em um projeto específico, mas para “ser” ágil é preciso transformar toda a sua estrutura e cultura.


Um é melhor do que o outro? Não necessariamente. E um também não exclui o outro. É uma questão de momento, tempo e estratégia. Por isso, é importante observar alguns pontos para saber o que faz sentido para sua empresa nesse momento. Um deles é a velocidade da mudança: a adoção gera efeitos práticos muito mais rápido quando comparada com a transformação. Então, se questione: quanto tempo você tem (ou precisa) para obter os benefícios do ágil?


Outra diferença importante é o período de referência. A maioria das adoções ágeis se concentra em um projeto com começo, meio e fim. A transformação envolve uma mudança na essência, como o design funcional de equipes e estruturas inteiras. Em ambos, quando bem aplicados, o ganho de produtividade é enorme! Os maiores benefícios da adoção ágil estão em ajudar as equipes a trabalhar de forma focada e organizada, eliminando o retrabalho, por exemplo. Na transformação os resultados são ainda mais expressivos, pois as pessoas se sentem mais motivadas e encorajadas a inovar, além de reduzir camadas desnecessárias de gestão.


Os impactos na organização, porém, são distintos. Na adoção ágil, o impacto na estrutura organizacional é baixo, afinal a companhia não mudou de verdade. Em geral, nesses casos, os profissionais são retirados de seus silos funcionais (QA, DBA, Frontend, Backend, por exemplo) para atuarem temporariamente em um projeto com equipes cross funcionais. Mas isso modifica pouco ou quase nada a empresa. O impacto cultural também é localizado: o time e os stakeholders diretos sentem que algo mudou, já que os princípios e valores do ágil estão sendo praticados naquele projeto. Mas é na transformação ágil que realmente há mudanças culturais.


O principal objetivo da transformação não é ser ágil, e sim transformar a cultura. A agilidade é, nessa opção, o veículo transformador. Nela, o impacto na estrutura organizacional é gigante. O novo “design funcional” da empresa é duradouro e normalmente organizado por value streams alinhados com clientes ou produtos internos.


Em ambos os casos, os princípios ágeis como colaboração, comunicação e organização influenciam positivamente os colaboradores e líderes da empresa e fundamentam mudanças importantes para o novo jeito de fazer da economia moderna. Seja qual for a sua escolha e a da sua empresa, o importante é apostar no ágil!


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