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"AI é bolha do bem", diz Jeff Bezos

Atualizado: 29 de out.

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O Brazil Journal resume a tese de Jeff Bezos de que vivemos uma “bolha industrial do bem”: diferente das bolhas financeiras, esta empurra infraestrutura, P&D e produtividade — ainda que haja sinais de euforia, como ações se descolando dos fundamentos e startups minúsculas recebendo bilhões. O contraponto vem do mercado: a dúvida não é se a IA cria valor, mas se o capex maciço das Big Techs, que saiu do patamar histórico de US$ 100–150 bilhões/ano para mais de US$ 400 bilhões em 2025, com estimativas chegando a US$ 600 bilhões e até US$ 3 trilhões/ano até 2030, se converterá em lucros que sustentem os valuations atuais. Jensen Huang (Nvidia) projeta que, se a IA adicionar US$ 10 trilhões ao PIB com um salto de 20% em produtividade, o mundo precisará investir US$ 5 trilhões por ano em computação. Mesmo assim, gestores ouvidos pelo jornal ponderam que o consenso é mais modesto: algo perto de US$ 1 trilhão/ano nos próximos anos.


Falando em um evento na Itália, Bezos reconheceu que há elementos de bolha porque vê os preços de ações se descolando dos fundamentos e startups de “seis pessoas” recebendo bilhões em funding. As bolhas industriais não são tão ruins, podem até ser boas, porque, quando a poeira baixar e surgirem os vencedores, as sociedades vão se beneficiar dessas invenções,” disse Bezos numa apresentação na Italian Tech Week. “É algo real, os benefícios da AI para a sociedade serão gigantescos.”

O texto também captura o ceticismo tático de analistas sobre a “corrida aos data centers”. Michael Cembalest (JP Morgan AM) ilustra a euforia comentando a alta de 25% da Oracle após a promessa de um contrato de US$ 60 bilhões/ano com a OpenAI, para fornecer uma infraestrutura que ainda não existe, demandando 4,5 GW adicionais de energia e mais alavancagem numa companhia cuja dívida já é elevada e conclui que o ciclo de capital do setor pode estar mudando. Dan O’Laughlin nota que, ao tentar entrar no clube dos hiperescaladores, a Oracle “quebra o padrão” e transforma uma corrida antes financiada por fluxo de caixa em uma possível “corrida armamentista financiada por dívida”. Para Thiago Kapulskis (São Pedro Capital), a tese de investimento em Oracle carrega riscos relevantes, sobretudo pela dependência de um crescimento acelerado da OpenAI. Há ainda duas perguntas estruturais: energia e economia do negócio. Segundo o artigo, a OpenAI teria hoje 2 GW de capacidade instalada e estima precisar de 250 GW em oito anos, um quarto da geração elétrica dos EUA, o que projeta o tema para a política energética. Na matemática financeira, a empresa fatura ~US$ 12 bilhões/ano e planeja investir US$ 115 bilhões até 2029; a Bain & Co. calcula que, até 2030, as companhias de IA precisariam gerar US$ 2 trilhões/ano para bancar os data centers demandados, mas a receita combinada deve ficar em US$ 1,2 trilhão. Do ponto de vista editorial, a reportagem sugere um caminho do meio entre o entusiasmo de Bezos e o pé no freio dos gestores: a IA pode, sim, ser uma “bolha do bem” desde que cada dólar adicional de capex venha acompanhado de disciplina de retorno, eficiência de computação e um plano claro para o gargalo energético. Para líderes e CFOs, a lição prática é tratar data center e chips não como troféus de corrida, mas como ativos de produtividade mensurável: priorizar casos de uso que “fechem a conta” no curto e médio prazo, calibrar alavancagem e monitorar o risco de transformar uma corrida saudável por infraestrutura em um ciclo de capital improdutivo. Em outras palavras, a pergunta deixa de ser “se” investir e passa a ser onde, quanto e com qual prazo de payback.




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